Isabel Pires
Movimentava-se no mundo
com certeza das coisas e por isso quase nunca falhava. Quase nunca, embora a
certeza fosse constante. Mas... Se não houvera a tal emoção... Vacilava, ah sim.
Como vacilava. Embora tivesse certeza de tudo. Mas decidia e não seguia a
razão. Uma carinha de emoção e a certeza perdia a graça, a moda, a vida. Se ia.
No outono, com certeza o
vento assobiaria baixinho e encresparia pouquinho as peles, os cabelos. No
outono, acampariam. No outono...
A fogueira queimava alta
e o tocador de violão ajudava a esquentar a lua. Cheia, por detrás dos galhos
secos da árvore mais alta que a fogueira, a lua era uma bola de cristal
mostrando incertezas. O binóculo passou de mão e mão e a lua ficou mais perto.
– Que lua louca!
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